# 13 filmes de ação e thriller com protagonistas queer para ver

> A lista "13 filmes de ação e thriller com protagonistas queer para ver" reúne obras que subvertem o gênero, de clássicos a contemporâneos. A seleção analisa representação e impacto, destacando a crescente visibilidade de personagens LGBTQIA+ em papéis centrais de ação e suspense, desafiando estereótipos e ampliando a diversidade narrativa no cinema.

*New Queer Cinema · Análises e Críticas · 18 de julho de 2026 · Tarsila Wenceslau Dummar*

Queer protagonistas em ação e thriller não são novidade, mas ganharam visibilidade nas últimas décadas. Listamos 13 filmes que subvertem o gênero, de clássicos a contemporâneos, com análises sobre representação e impacto.

Protagonistas queer em filmes de ação e thriller não são um fenômeno recente, mas ganharam contornos mais explícitos e complexos nas últimas décadas. A genealogia dessa representação remonta aos códigos subtextuais do cinema clássico, pense no olhar cúmplice de Humphrey Bogart ou na ambiguidade de James Dean, mas é nos anos 1990, com o New Queer Cinema, que a dissidência sexual começa a ocupar o centro da narrativa de gênero sem pedir licença. Esta lista reúne 13 filmes que, de maneiras distintas, colocam protagonistas queer no coração da ação e do thriller, desafiando tanto a fórmula do gênero quanto as expectativas do espectador. Nenhum filme nasce do nada: cada título aqui dialoga com uma tradição de resistência e reinvenção.

## 1. The Matrix (1999)

A obra-prima das irmãs Wachowski é, antes de tudo, uma alegoria trans. Neo (Keanu Reeves) não apenas descobre que a realidade é uma simulação, mas que sua identidade verdadeira está além do corpo que lhe foi atribuído. A transição de "Thomas Anderson" para "Neo" ecoa a experiência de descoberta e afirmação de gênero. O fato de as diretoras serem mulheres trans torna a leitura ainda mais concreta. O filme influenciou uma geração inteira de cineastas queer, que viram na resistência contra o sistema uma metáfora para a luta por existência.

## 2. Bound (1996)

Antes de The Matrix, as Wachowski dirigiram este thriller neo-noir sobre Corky (Gina Gershon), uma ex-presidiária lésbica que se envolve com Violet (Jennifer Tilly), esposa de um mafioso. O filme trata a sexualidade das protagonistas como parte orgânica da trama, não como choque ou exotismo. A cena do interrogatório com a mangueira é um dos momentos mais tensos do cinema dos anos 1990. Bound demonstrou que um thriller podia ter protagonistas queer sem precisar justificar sua existência.

## 3. The Woman King (2022)

Gina Prince-Bythewood dirige Viola Davis como Nanisca, general do exército de guerreiras Agojie no reino de Daomé. O subtexto queer é evidente na irmandade guerreira, mas o filme explicita a diversidade sexual entre as personagens. A novata Nawi (Thuso Mbedu) rejeita um casamento arranjado e encontra autonomia afetiva dentro do exército. O longa resgata uma história real de mulheres que viveram em comunidade sem a mediação masculina, atualizando o gênero de ação com protagonismo lésbico.

## 4. Atomic Blonde (2017)

David Leitch dirige Charlize Theron como Lorraine Broughton, uma espiã britânica em Berlim, 1989. O filme não apenas a apresenta como bissexual explícita, a cena com Sofia Boutella é direta e sem voyeurismo, mas constrói uma heroína de ação cuja competência não depende de sua sexualidade. A coreografia de luta em um take de 10 minutos é uma das melhores do gênero. Lorraine é queer, fria e letal, e o filme não pede desculpas por isso.

## 5. The Old Guard (2020)

Gina Prince-Bythewood adapta a HQ de Greg Rucka sobre guerreiros imortais. O casal queer formado por Andy (Charlize Theron) e Quynh (Veronica Ngo) atravessa séculos de história. A relação é tratada com a mesma naturalidade que as cenas de ação. O filme foi um dos primeiros blockbusters de streaming a colocar um relacionamento lésbico no centro da trama, sem subtexto ou alívio cômico. A cena em que Andy relembra a perda de Quynh é um dos momentos mais melancólicos do gênero.

## 6. John Wick: Chapter 3 - Parabellum (2019)

A diretora Sofia (Halle Berry) é uma das aliadas mais letais de John Wick. O filme revela que ela e John têm uma história de dívidas e respeito mútuo, mas também deixa claro que Sofia é lésbica, sua filha é fruto de uma relação com outra mulher. A cena em que ela enfrenta dezenas de capangas ao lado de seus cães é um dos picos de ação da franquia. A personagem prova que uma protagonista queer pode ser tão brutal quanto qualquer herói heterossexual do gênero.

## 7. They/Them (2022)

John Logan, roteirista de Gladiador e Skyfall, estreia na direção com este slasher ambientado em uma "terapia de conversão". O protagonista Owen (Theo Germaine) é um adolescente não binário que lidera a resistência contra o campo. O filme subverte o gênero ao transformar os algozes em vítimas. Embora não seja puro thriller de ação, a tensão constante e os confrontos físicos o colocam na fronteira do gênero. É uma resposta direta à violência institucional contra corpos queer.

## 8. The Handmaiden (2016)

Park Chan-wook adapta o romance de Sarah Waters ambientando-o na Coreia ocupada pelo Japão. A trama de golpes e sedução culmina em um romance lésbico que subverte todas as expectativas do thriller erótico. A protagonista Sook-hee (Kim Tae-ri) e a herdeira Hideko (Kim Min-hee) constroem uma aliança que é ao mesmo tempo amorosa e estratégica. O filme é um dos raros casos em que o suspense e o desejo queer se alimentam mutuamente, sem que um anule o outro.

## 9. Thelma (2017)

Joachim Trier dirige este thriller psicológico norueguês sobre Thelma (Eili Harboe), uma jovem com poderes telecinéticos que descobre sua sexualidade ao mesmo tempo que sua força destrutiva. O filme trata a atração por outra mulher como um despertar que desencadeia o horror. A cena em que Thelma controla um ataque epiléptico é um dos momentos mais tensos do cinema escandinavo recente. Aqui, o queer não é metáfora, mas motor da trama.

## 10. Below Her Mouth (2016)

April Mullen dirige este thriller erótico sobre Jasmine (Erika Linder), uma trabalhadora da construção civil que se envolve com uma editora de moda. O filme é explícito na representação da sexualidade lésbica, mas também constrói uma protagonista que não se encaixa em estereótipos. A cena de luta em que Jasmine defende a parceira é curta, mas eficaz. O longa é um dos poucos thrillers contemporâneos a colocar uma masculinidade lésbica no centro.

## 11. D.E.B.S. (2004)

Angela Robinson dirige esta comédia de ação sobre um grupo de espiãs adolescentes. A protagonista Amy (Sara Foster) descobre que sua maior rival, a supervilã Lucy Diamond (Jordana Brewster), na verdade é seu interesse amoroso. O filme brinca com os códigos do gênero, perseguições, gadgets, uniformes, enquanto subverte a heteronormatividade. É uma obra menor, mas importante por mostrar que ação e queer podem coexistir no registro da comédia.

## 12. Nimona (2023)

Nick Bruno e Troy Quane dirigem esta animação baseada na HQ de ND Stevenson. A protagonista Nimona (Chloë Grace Moretz) é uma metamorfa queer que desafia as regras do reino. O filme é uma metáfora direta para a experiência trans e não binária: a personagem pode assumir qualquer forma, mas é perseguida por quem é. As cenas de ação são criativas e cheias de humor. Nimona é um dos raros exemplos de animação mainstream com protagonista abertamente queer.

## 13. A Simple Favor (2018)

Paul Feig dirige este thriller sobre Stephanie (Anna Kendrick), uma blogueira que investiga o desaparecimento de sua amiga Emily (Blake Lively). O subtexto queer entre as duas é constante, e o final revela que Emily é bissexual. O filme brinca com a estética do thriller doméstico, casas perfeitas, segredos de família, enquanto insere a ambiguidade sexual como parte do mistério. A cena do beijo entre as duas é ao mesmo tempo irônica e genuína.

Se você busca um thriller que coloca a identidade queer no centro da trama, Bound e The Handmaiden são escolhas certeiras. Para ação pura com protagonistas lésbicas, Atomic Blonde e The Woman King entregam coreografias impecáveis. Já The Matrix e Nimona oferecem metáforas queer que transcendem o gênero.

## FAQ

### O que define um protagonista queer em filmes de ação?

Um protagonista queer é aquele cuja identidade sexual ou de gênero é explicitamente representada como dissidente da heteronormatividade, seja por meio de relacionamentos, diálogos ou metáforas visuais. Em ação e thriller, isso pode aparecer de forma direta (Atomic Blonde) ou subtextual (The Matrix).

### Por que filmes de ação queer são importantes?

Eles desafiam a associação histórica entre masculinidade heterossexual e violência, mostrando que corpos queer também podem ocupar o centro de narrativas de poder, resistência e sobrevivência. Isso amplia o imaginário do gênero e oferece representação para públicos historicamente marginalizados.

### Existem filmes de ação queer brasileiros?

Sim, títulos como O Beijo no Asfalto (1981) e Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014) não são ação pura, mas o Brasil tem produções como Bruna Surfistinha (2011) que tangenciam o gênero. A produção nacional ainda é escassa nesse nicho específico.

### Qual a diferença entre subtexto queer e representação explícita?

Subtexto queer depende de leituras interpretativas, olhares, metáforas, códigos visuais, enquanto representação explícita mostra personagens assumindo sua identidade em diálogo ou ação. Ambos são válidos, mas o subtexto foi historicamente a única via possível devido à censura.

### Filmes de animação queer para crianças existem?

Sim, Nimona (2023) é um exemplo recente. Também há episódios de séries como Steven Universe e She-Ra que apresentam protagonistas queer em tramas de ação. A representação infantil ainda enfrenta resistência, mas está crescendo.

### Como identificar um thriller queer?

Busque filmes onde a tensão narrativa está ligada à identidade sexual ou de gênero do protagonista, seja por perseguição, segredo ou descoberta. Exemplos incluem Thelma (2017) e A Simple Favor (2018), onde o suspense nasce da repressão ou da ambiguidade queer.

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Fonte (canonical): https://www.newqueercinema.com.br/analises-e-criticas/13-filmes-de-acao-e-thriller-com-protagonistas-queer-para-ver/
