Crítica · Análises e Críticas

Brasileiro gosta de ler, mas falta acesso, diz Itamar Vieira Junior

ResumoItamar Vieira Junior, na Flipelô, afirmou que o brasileiro gosta de ler, mas enfrenta desigualdade de acesso a livros. Pesquisa aponta 47% de leitores no país, com 6,7 milhões de leitores perdidos em quatro anos. A falta de bibliotecas e políticas públicas limita o hábito de leitura, apesar do interesse demonstrado pela população.

Na Flipelô, Itamar Vieira Junior afirmou que brasileiro gosta de ler, mas enfrenta desigualdade de acesso. Pesquisa aponta 47% de leitores no país e 6,7 milhões perdidos em 4 anos.

Cássio Drummond Belforte
Cássio Drummond Belforte Programador de cineclube e divulgador de cinema autoral · 10 de agosto de 2026
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VereditoNa Flipelô, Itamar Vieira Junior afirmou que brasileiro gosta de ler, mas enfrenta desigualdade de acesso. Pesquisa aponta 47% de leitores no país e 6,7 milhões perdidos em 4 anos.

Brasileiro gosta de ler, mas tem dificuldade de acesso, diz Itamar Vieira Junior

Para o escritor Itamar Vieira Junior, não é verdade que o brasileiro não gosta de ler. Em conversa com a plateia que lotou o Largo do Pelourinho na noite de ontem (7), durante a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), ele afirmou: "O brasileiro gosta de ler, mas encontra dificuldades de acesso para fazê-lo."

Segundo ele, em todas as regiões do país, há uma quantidade imensa de pessoas interessadas em livros e leitura. "Isso é um bom retrato para aqueles que dizem: 'Ah, o brasileiro não gosta de ler'. Isso não é verdade. O que existe é desigualdade de acesso", disse, sob aplausos do público.

Autor da Trilogia da Terra, que começou com o sucesso Torto Arado, passou por Salvar o Fogo e agora é concluída com Coração sem Medo, Itamar relembrou a juventude em Salvador, quando frequentava muitas bibliotecas públicas. Para ele, é preciso ampliar o número de bibliotecas no país para aumentar o acesso aos livros.

Desigualdade de acesso e o preço do livro

"É um país profundamente desigual e o livro não é barato. E às vezes não há uma biblioteca pública no bairro onde a gente mora lá na periferia", criticou. O escritor atribuiu parte de sua formação às bibliotecas que usou na adolescência e no começo da vida adulta: "Se não houvesse essas bibliotecas, certamente eu teria perdido muito das leituras que eu fiz ali." Ele defende que o ideal seria ter uma biblioteca em cada bairro.

O retrato da leitura no Brasil

Os dados reforçam a percepção do escritor. Em 2024, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, apontou que 47% da população com 5 anos ou mais se declarou leitora, o equivalente a cerca de 93,4 milhões de pessoas. Por outro lado, 53% não leram nem parte de um livro nos três meses anteriores à pesquisa. O país perdeu 6,7 milhões de leitores em quatro anos.

Apesar da queda, o mercado editorial mostra sinais de recuperação. O Panorama do Consumo de Livros no Brasil, da Câmara Brasileira do Livro com a Nielsen BookData, indicou que 18% da população adulta comprou ao menos um livro em 2025, alta de 2 pontos percentuais em relação a 2024. Isso representa cerca de 3 milhões de novos consumidores.

Políticas públicas e o MEC Livros

Para Itamar, aumentar o número de leitores exige políticas públicas que garantam o acesso aos livros. Um exemplo citado por ele é o MEC Livros, plataforma pública digital que reúne e disponibiliza gratuitamente obras literárias em formato digital, por meio de empréstimo. O próprio Torto Arado é o livro mais emprestado da plataforma.

"Esse ano veio um projeto muito bonito que é o MEC Livros. E aí não importa se você está lá numa comunidade isolada no Amazonas ou se você está numa grande cidade como Salvador ou São Paulo, mas você tem o livro ali [ao alcance, de forma gratuita]", afirmou. Ele concluiu: "Esse é um instrumento que veio para reduzir e mitigar essa desigualdade de acesso que existe. Mas que o brasileiro gosta de história e gosta de ler, nós sabemos. Gosta muito, desde sempre."

O papel das bibliotecas públicas

A fala de Itamar reacende o debate sobre o papel das bibliotecas públicas na formação de leitores. O escritor, que cresceu em Salvador, credita a essas instituições parte de sua relação com a literatura. Para ele, a ausência de bibliotecas em bairros periféricos aprofunda a desigualdade de acesso.

Como ampliar o acesso à leitura no Brasil

A experiência de Itamar sugere caminhos: investir em bibliotecas públicas de bairro, fortalecer plataformas digitais gratuitas como o MEC Livros e criar políticas públicas que reduzam o custo do livro. O dado de 3 milhões de novos consumidores em 2025 mostra que há demanda reprimida por leitura no país.

Perguntas Frequentes

Por que Itamar Vieira Junior diz que o brasileiro gosta de ler?

Ele afirma que há imenso interesse por livros em todo o país, e que o problema é a desigualdade de acesso, não a falta de gosto pela leitura.

O que é o MEC Livros?

É uma plataforma pública digital que disponibiliza gratuitamente obras literárias em formato digital, por empréstimo. Torto Arado é o livro mais emprestado da plataforma.

Qual é o percentual de leitores no Brasil?

Segundo a pesquisa Retratos da Leitura de 2024, 47% da população com 5 anos ou mais se declarou leitora, cerca de 93,4 milhões de pessoas.

Quantos leitores o Brasil perdeu nos últimos anos?

O país perdeu 6,7 milhões de leitores em quatro anos, segundo o Instituto Pró-Livro.

Como o mercado editorial reagiu em 2025?

O Panorama do Consumo de Livros apontou que 18% da população adulta comprou ao menos um livro em 2025, alta de 2 pontos percentuais sobre 2024, com cerca de 3 milhões de novos consumidores.

  • Reportagem e fotografia viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flipelô 2026.

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