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Jabuti Acadêmico 2026: vencedores anunciados em São Paulo

ResumoO Prêmio Jabuti Acadêmico 2026, organizado pela Câmara Brasileira do Livro, anunciou os vencedores da terceira edição em cerimônia no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. As obras premiadas abordam temas como crise climática, desigualdade social e ditadura militar, refletindo a produção acadêmica contemporânea brasileira. A premiação reconhece excelência em categorias científicas e humanísticas.

A CBL anunciou os vencedores do 3º Prêmio Jabuti Acadêmico em cerimônia no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Obras sobre crise climática, desigualdade e ditadura militar estão entre as premiadas.

Cássio Drummond Belforte
Cássio Drummond Belforte Programador de cineclube e divulgador de cinema autoral · 12 de agosto de 2026
Jabuti Acadêmico 2026: vencedores anunciados em São Paulo
8.7/10
VereditoA CBL anunciou os vencedores do 3º Prêmio Jabuti Acadêmico em cerimônia no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Obras sobre crise climática, desigualdade e ditadura militar estão entre as premiadas.

Cerimônia em São Paulo revela vencedores do 3º Prêmio Jabuti Acadêmico

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) anunciou, na noite de terça-feira (11), os premiados da 3ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico. A cerimônia aconteceu no Teatro Sérgio Cardoso, na capital paulista, e reuniu autores, editores e personalidades do meio acadêmico.

Criada em 2024, a premiação é voltada a obras acadêmicas, científicas e técnicas. O objetivo é ampliar a visibilidade de autores e editoras desses segmentos, que muitas vezes ficam fora do circuito comercial tradicional. A edição contou com 27 categorias divididas em dois eixos: Ciência e Cultura e Prêmios Especiais.

Obras premiadas abordam questões contemporâneas e históricas

Entre os vencedores estão autores com obras sobre desafios contemporâneos e questões históricas que ainda reverberam na atualidade. Crise climática, desigualdade social, ditadura militar e saberes tradicionais indígenas e africanos são alguns dos temas que atravessam os títulos premiados.

Na categoria Antropologia, Sociologia, Demografia, Ciência Política e Relações Internacionais, a obra vencedora foi O jeito Yanomami de pendurar redes (Editora Perspectiva), de Thiago Benucci. O livro aborda saberes tradicionais indígenas e ganhou destaque pelo olhar sensível sobre a cultura Yanomami.

Em Economia, o prêmio foi para A loteria do nascimento: filha do porteiro termina universidade, mas não alcança filho do rico (Editora Jandaíra), de Fillipi Nascimento e Michael França. O título trata da desigualdade social e das barreiras estruturais que persistem no país.

Ciências Agrárias, Religião e Comunicação também têm destaques

Na categoria Ciências Agrárias e Ciências Ambientais, o título vencedor foi Saúde do solo em ecossistemas tropicais: a base para mitigação e adaptação às mudanças climáticas (Editora Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz). A obra é assinada por Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, Carlos Roberto Pinheiro Junior, Lucas Pecci Canisares e Maurício Roberto Cherubin.

O livro trata da importância do solo como base para enfrentar a crise climática, tema que ganha relevância crescente no debate científico global.

Na categoria Ciências da Religião e Teologia, o prêmio foi para Brasil africano: orixás, sacerdotes, seguidores (Editora Pallas), de Reginaldo Prandi. A obra explora as religiões de matriz africana e sua presença na formação cultural brasileira.

Já em Comunicação e Informação, o 1º lugar ficou com Crime sem castigo: como os militares mataram Rubens Paiva (Editora Matrix), de Juliana Dal Piva. O livro investiga um dos episódios mais emblemáticos da ditadura militar brasileira.

Prêmio em dinheiro e estatueta para autores e editoras

Os autores vencedores receberam a estatueta do Jabuti Acadêmico, além de um prêmio de R$ 5 mil. As editoras das obras premiadas também receberam a estatueta, reconhecendo o trabalho editorial por trás de cada título.

Para Sevani Matos, presidente da CBL, a premiação celebra a produção acadêmica nacional. "É motivo de muita comemoração reconhecer obras de alta qualidade que evidenciam a força da pesquisa e da produção editorial acadêmica no Brasil", afirmou. "Os trabalhos refletem a diversidade de temas, perspectivas e contribuições que enriquecem o debate acadêmico e ampliam a produção de conhecimento."

José Goldemberg é a Personalidade Acadêmica da edição

O grande homenageado da noite foi o físico, professor e pesquisador José Goldemberg. A CBL o anunciou como a Personalidade Acadêmica desta 3ª edição do prêmio. Ele esteve na cerimônia para receber a estatueta.

A homenagem reconhece sua trajetória científica, liderança acadêmica e contribuição para o desenvolvimento da ciência, das políticas públicas e da sustentabilidade.

Em seu discurso no palco, Goldemberg emocionou o público ao lembrar sua formação. "Sou um produto típico da educação pública e laica do Brasil", disse. "Escola primária em Porto Alegre, ginásio no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, de forte influência positivista, para quem a ciência é o motor da história, e Universidade de São Paulo (USP), em 1945."

O professor relatou que seu interesse pela ciência se manifestou cedo. "Meu interesse e vocação para me tornar um cientista se manifestou cedo, pela curiosidade permanente de descobrir a causa das coisas, rejeitando explicações religiosas e metafísicas."

Uma trajetória dedicada à ciência e à energia sustentável

Goldemberg contou que, inicialmente, fez pesquisas em física nuclear na USP e em períodos no exterior, na Universidade de Stafford e na Universidade de Paris. Esses trabalhos tiveram ampla repercussão na comunidade científica.

"Após 20 anos dedicados inteiramente à pesquisa, comecei a participar ativamente das atividades da SBPC [Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência], em defesa da ciência e dos cientistas, no período do governo autoritário e obscurantista", lembrou. "Neste período, direcionei minha atenção para estudos sobre energia em geral, meio ambiente e mudanças climáticas."

Como reitor da USP, entre 1986 e 1990, ele tentou recuperar o nível acadêmico da universidade. "Tentei recuperar o nível acadêmico e científico que ela havia tido e perdido no período autoritário", destacou. O professor mencionou ainda seu trabalho em fontes de energia renováveis e biocombustíveis.

Em 1988, em colaboração com Robert Williams, dos Estados Unidos, Thomas Johansson, da Suécia, e Amulya Reddy, da Índia, publicou o livro Energy for a Sustainable World (Energia para um mundo sustentável), pela Wiley-Ester. A obra se tornou referência na área e impulsionou a transição energética no mundo todo.

"Divido esse prêmio com cada colega, aluno e instituição que ousa acreditar que o futuro do Brasil se constrói com educação pública, ciência e coragem", finalizou Goldemberg.

Reconhecimento internacional e legado científico

Segundo a CBL, ao longo de mais de sete décadas de atuação, Goldemberg consolidou-se como uma das principais referências da ciência brasileira e internacional, nas áreas de física, energia, meio ambiente e educação.

"Seu trabalho foi decisivo para projetar internacionalmente o programa brasileiro de biocombustíveis, consolidando-o como referência mundial em transição energética e no desenvolvimento sustentável", divulgou a organização.

Entre os reconhecimentos recebidos por ele estão o Blue Planet Prize (Japão, 2008), considerado um dos mais importantes prêmios internacionais da área ambiental, e o Trieste Science Prize, da Academia Mundial de Ciências (TWAS), em 2010.

Homenagem ao Livro Acadêmico Clássico 2026

A cerimônia também homenageou a obra História das Mulheres no Brasil, da historiadora, escritora e professora brasileira Mary Del Priore. O título foi escolhido como o Livro Acadêmico Clássico 2026.

O objetivo é reconhecer obras de relevância permanente para a produção do conhecimento no país, destacando títulos que marcaram gerações de pesquisadores, estudantes e leitores. O título foi escolhido pela diretoria da CBL após consulta pública inicial.

O que esperar das próximas edições do Jabuti Acadêmico

A premiação, criada em 2024, já se consolidou como um marco no calendário editorial brasileiro. Para quem acompanha a produção acadêmica, o Jabuti Acadêmico é uma porta de entrada para obras que muitas vezes não chegam às grandes livrarias.

A diversidade de temas premiados nesta edição mostra a vitalidade da pesquisa brasileira. Das questões climáticas aos direitos humanos, passando por saberes tradicionais e história política, os títulos vencedores refletem o que há de mais atual no pensamento acadêmico nacional.

Para os leitores interessados em ciência, cultura e política, vale a pena acompanhar a lista completa dos premiados e buscar as obras que dialogam com seus interesses. O prêmio é também um convite para explorar editoras independentes e universitárias, que publicam parte relevante do conhecimento produzido no país.

Perguntas Frequentes

Quem pode participar do Prêmio Jabuti Acadêmico?

O prêmio é voltado a obras acadêmicas, científicas e técnicas, publicadas no Brasil. A premiação abrange diversas áreas do conhecimento, divididas em categorias.

Qual o valor do prêmio para os vencedores?

Os autores vencedores recebem a estatueta do Jabuti Acadêmico e um prêmio de R$ 5 mil. As editoras das obras premiadas também recebem a estatueta.

Onde aconteceu a cerimônia da 3ª edição?

A cerimônia aconteceu no Teatro Sérgio Cardoso, na capital paulista, na noite de terça-feira (11).

Quem foi o grande homenageado da noite?

O físico, professor e pesquisador José Goldemberg foi anunciado como a Personalidade Acadêmica da 3ª edição. Ele recebeu a estatueta durante a cerimônia.

O que é o Livro Acadêmico Clássico?

É uma homenagem a obras de relevância permanente para a produção do conhecimento no país. Nesta edição, o título escolhido foi História das Mulheres no Brasil, de Mary Del Priore.

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