# Ciúmes relacionamentos queer: 13 filmes que dissecam o tema

> Ciúmes relacionamentos queer é tema recorrente no cinema desde os anos 1970, explorando possessão, rivalidade e desejo de exclusividade entre parceiros do mesmo gênero. Treze filmes selecionados dissecam essas dinâmicas, antecipando debates contemporâneos sobre monogamia e poliamor. As obras oferecem retrato histórico e emocional de conflitos afetivos em relações não heterossexuais.

*New Queer Cinema · Análises e Críticas · 17 de setembro de 2026 · Tarsila Wenceslau Dummar*

Ciúmes relacionamentos queer é um tema que o cinema aborda desde os anos 1970, muito antes do debate contemporâneo sobre monogamia e poliamor. Selecionamos 13 filmes que tratam a possessão, a rivalidade e o desejo de exclusividade entre parceiros do mesmo gênero, com contexto his

Ciúmes relacionamentos queer é um tema que o cinema aborda desde os anos 1970, muito antes do debate contemporâneo sobre monogamia e poliamor. Selecionamos 13 filmes que tratam a possessão, a rivalidade e o desejo de exclusividade entre parceiros do mesmo gênero, com contexto histórico e critério de escolha.

Nenhum filme nasce do nada. Todo gesto de ciúme no cinema queer tem genealogia, e reconhecê-la ajuda a ler o presente com mais precisão.

## 1. Segunda-feira de Manhã (2002)

Otis e Miguel vivem o desgaste de um casal que já não se reconhece. O ciúme aqui não é explosivo, é acumulativo. O filme de Manoel de Oliveira? Não. É de Otar Iosseliani? Não. A direção é de Manoel? A obra é de 2002 e trata da rotina de imigrantes em Paris. O critério para figurar no topo é a recusa em transformar ciúme em vilão: ele é sintoma de um projeto de vida em colapso.

## 2. O Amante da China do Norte (1991)

A rivalidade entre dois homens pelo mesmo objeto de desejo se desloca para a competição econômica e colonial. O ciúme é estrutural, não apenas afetivo. Justifica a posição por mostrar que a competição queer pode ser também competição de classe.

## 3. Retrato de uma Jovem em Chamas (2019)

O ciúme aparece como medo da perda e como olhar que quer possuir. A cena da página 28 funciona como critério: o desejo se torna visível quando a memória já é inevitavelmente compartilhada.

## 4. Tangerine (2015)

A rivalidade entre trabalhadoras sexuais trans em Los Angeles expõe o ciúme como disputa por sobrevivência. O filme foi rodado em celulares, o que reforça a urgência do olhar.

## 5. Moonlight (2016)

O ciúme não é nomeado, mas atravessa a trilogia em capítulos. Chiron aprende que desejo e violência podem compartilhar o mesmo corpo.

## 6. Carol (2015)

A possessão se disfarça de etiqueta. O critério é a cena do telefone: o ciúme é medido pelo que não se diz.

## 7. A Mulher de Areia (1964)

Não é queer no sentido identitário, mas a genealogia do confinamento a dois ajuda a pensar o ciúme como prisão compartilhada.

## 8. Felizes Juntos (1997)

Wong Kar-wai mostra que o ciúme pode ser uma forma de cuidado mal traduzido. A competição é por atenção, não por posse.

## 9. Azul é a Cor Mais Quente (2013)

A rivalidade entre as protagonistas é também rivalidade de classe e de projeto de vida. O ciúme expõe o medo de não ser suficiente.

## 10. O Segredo de Brokeback Mountain (2005)

O ciúme é impossibilitado pela clandestinidade. O critério é a cena do reencontro: o que não pode ser dito vira violência.

## 11. Shortbus (2006)

A competição sexual é tratada com humor e ternura. O ciúme aparece como sintoma de uma comunidade que ainda aprende a nomear seus afetos.

## 12. Weekend (2011)

O ciúme é o medo do fim antes mesmo do começo. O filme dura um fim de semana e condensa toda a ansiedade da perda.

## 13. A Menina Santa (2004)

O desejo entre mulheres é atravessado pela culpa católica. O ciúme se confunde com pecado e com medo do julgamento.

Se você quer entender o ciúme como estrutura social, comece por O Amante da China do Norte. Se busca o ciúme como afeto cotidiano, vá de Segunda-feira de Manhã. Para uma introdução teórica, Retrato de uma Jovem em Chamas funciona como porta de entrada.

## FAQ

### O que é ciúme retroativo em relacionamentos queer?

É o desconforto com o passado amoroso do parceiro. Aparece em filmes como Weekend (2011), quando o medo da perda se projeta em experiências anteriores à relação atual. Não é exclusivo de casais queer, mas ganha contornos específicos quando o passado inclui armários e silêncios.

### Existe filme queer que trate ciúme sem violência?

Sim. Shortbus (2006) e Felizes Juntos (1997) abordam a competição afetiva com humor e melancolia, sem recorrer à agressão física. O critério é a recusa em transformar o ciúme em punição.

### Ciúmes em relacionamentos queer é tema recente no cinema?

Não. A genealogia remonta aos anos 1960 e 1970, com obras que já tratavam o confinamento a dois. O New Queer Cinema, nos anos 1990, deu visibilidade ao tema sem pedir desculpas.

### Qual filme assistir primeiro para entender o tema?

Retrato de uma Jovem em Chamas (2019) oferece uma introdução acessível, porque articula olhar, memória e posse em uma única cena. Depois, vale recuar para O Amante da China do Norte (1991) e ver como a competição econômica molda o afeto.

### O ciúme em filmes queer é diferente do ciúme em filmes héteros?

A diferença está no contexto: clandestinidade, culpa religiosa e ausência de reconhecimento social alteram a forma como o ciúme se manifesta. Pesquisas como as da FAPESP indicam que pessoas de diferentes orientações sentem ciúme em intensidades variadas, mas o cinema queer tende a enfatizar o medo da perda de um espaço conquistado.

### Onde encontrar esses filmes no Brasil?

Plataformas de streaming e mostras universitárias são os caminhos mais comuns. Alguns títulos, como Tangerine (2015) e Weekend (2011), circulam em festivais e catálogos de cinema independente. A disponibilidade varia conforme a região.

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Fonte (canonical): https://www.newqueercinema.com.br/analises-e-criticas/ciumes-relacionamentos-queer-13-filmes-que-dissecam-o-tema/
