Festival Favela Gourmet 2026: segunda edição na Rocinha e Vidigal
Começa nesta sexta-feira (4) a segunda edição do Favela Gourmet, com cerca de 40 bares e restaurantes da Rocinha e Vidigal. O festival, que integra o projeto Na Favela Turismo, espera 5 mil visitantes até o dia 11.
Toda imagem propõe um jeito de olhar e recusa outros. O Favela Gourmet, que começa nesta sexta-feira (4), filma a Rocinha e o Vidigal por um ângulo específico: o da mesa posta, do pequeno negócio que se recusa a ser invisível. A segunda edição do festival reúne cerca de 40 bares, restaurantes e lanchonetes das duas comunidades da zona sul do Rio de Janeiro, com expectativa de 5 mil visitantes até o encerramento, no dia 11.
O crescimento é o dado central. Em 2025, eram 14 estabelecimentos. Agora, quase o triplo, e o organizador Renan Monteiro, da Rocinha, dono do projeto Na Favela Turismo, lê o número como uma aposta na base. "É legal, porque a gente está trazendo até negócios menores da favela, para poder incluir mais gente e dar oportunidade para esse pessoal que tem empreendimentos menores, mas com muito potencial também", disse à Agência Brasil.
A ampliação veio acompanhada de uma decisão de desenho: mais prêmios, valores menores. Em 2025, três vencedores levaram R$ 3 mil cada. Este ano, sete categorias distribuem R$ 2 mil para Melhor Comida, R$ 1 mil para Melhor Bebida e R$ 500 para 2º Melhor Prato, 2ª Melhor Bebida, Melhor Revelação e dois prêmios para guias (o que visitar mais estabelecimentos com consumo e o que levar mais turistas). A votação é por QR Code, com cerimônia em 11 de setembro.
A história de Verônica Batista de Oliveira, do Vidigal, atravessa o festival como um contraponto à lógica do circuito. Premiada em 2025 pelo cuscuz recheado de carne seca com banana da terra e pelo bolo de cenoura, ela agora apresenta croissants salgados e doces na cafeteria Flor de Baunilha. O nome veio do cheiro dos doces, o início veio de uma demissão há dez anos. Durante a pandemia, com a perda de uma pessoa da família, ela herdou louças e passou a servir café da manhã em xícaras com pires. Hoje divide o espaço com uma fisioterapia e uma manicure, e trabalha sozinha. "Eu tento sempre fazer as coisas de modo que as pessoas se sintam aconchegadas", conta.
Os números da primeira edição ajudam a dimensionar o que está em jogo: 300 profissionais envolvidos, 3,2 mil votos, aumento de cerca de 35% no movimento dos estabelecimentos e engajamento 70% maior nas redes. Os pequenos empreendedores recebem consultoria do Sebrae Rio para ampliar capacidade. turismo de base comunitária no Rio pequenos negócios em favelas
Resta saber se o festival, ao reduzir o valor individual dos prêmios para contemplar mais gente, consegue sustentar o interesse dos participantes. A pergunta que fica, diante da votação por QR Code e da aposta em guias, é se a rota gastronômica se torna um mapa duradouro ou apenas um cardápio de fim de semana.