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Poetas na Praça: poesia de subversão na ditadura

ResumoPoetas na Praça, movimento de resistência cultural em Salvador, reuniu jovens baianos na Praça da Piedade no fim dos anos 1970 para recitar versos proibidos pela ditadura militar. Ametista Nunes, cofundadora, documentou a poesia como ferramenta de subversão e expressão coletiva. A experiência histórica oferece lições sobre ocupação do espaço público e resistência artística em contextos autoritários.

No fim dos anos 70, jovens poetas baianos ocuparam a Praça da Piedade para recitar versos proibidos. Ametista Nunes, uma das fundadoras, conta como a poesia virou resistência e o que isso ensina hoje.

Marlene Yoshida Cabral
Marlene Yoshida Cabral Documentarista e analista de cinema do real · 07 de agosto de 2026
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7.8/10
VereditoNo fim dos anos 70, jovens poetas baianos ocuparam a Praça da Piedade para recitar versos proibidos. Ametista Nunes, uma das fundadoras, conta como a poesia virou resistência e o que isso ensina hoje.

Poetas na Praça: quando a poesia virou ato de subversão na ditadura

No fim dos anos 70, em plena ditadura militar, um grupo de jovens poetas decidiu se reunir em praça pública para declamar versos e desafiar a repressão. Nasceu ali o movimento Poetas na Praça, formado por estudantes da Bahia que transformaram a poesia em marco de resistência política, cultural e social.

A resposta direta: o que foi o Poetas na Praça?

O Poetas na Praça foi um movimento de jovens poetas baianos que, no final dos anos 70, ocuparam a Praça da Piedade, em Salvador, para recitar poesias de subversão durante a ditadura militar. Ametista Nunes, uma das dez fundadoras, era a única mulher no início. O grupo desafiava as autoridades ao se apresentar em frente à sede da Secretaria de Segurança Pública da Bahia.

Ametista Nunes: a única mulher no começo

Quando penso no que move alguém a recitar versos proibidos diante do prédio da polícia política, lembro da fala de Ametista Nunes. Ela foi uma das dez fundadoras do movimento e, no início, a única mulher do grupo.

"Em 1979, quando a gente começou, era exatamente na época da ditadura, momento em que poesias eram proibidas, músicas eram proibidas e os artistas eram todos proibidos, exilados ou mortos. E a gente também sabe a história de muitos que foram assassinados ou desaparecidos."

A escolha do local não era casual. O grupo se apresentava justamente em frente ao prédio onde hoje fica a sede da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, na Praça da Piedade, uma praça histórica de Salvador onde, segundo Ametista, "os escravos foram enterrados".

O desafio à repressão: versos de provocação

Ametista descreve a prática como uma espécie de desafio às autoridades da época. Os versos eram deliberadamente provocativos.

"Lá a gente recitava [os versos] e eram só poesias de subversão. Era de provocação mesmo, a gente provocava bastante."

Em entrevista à Agência Brasil, ela destacou que a poesia serviu como instrumento de resistência e que a arte segue fundamental nos dias de hoje.

"Ou a gente entra com a arte nesse processo social ou nunca vai mudar as mentes. Nem os corações."

A fala veio logo após acompanhar uma mesa na Casa Motiva que discutia o legado do movimento.

Semírames Sé: o grito de utopia

Na Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), a poeta Semírames Sé, uma das principais vozes femininas do grupo, reforçou o caráter provocador daquelas apresentações.

"A poesia foi sempre uma batalha, foi sempre nosso grito de utopia, o nosso grito de igualdade, fraternidade e comunhão. Foi assim que cheguei à Praça da Piedade."

A popularização da poesia: conquista do movimento

Douglas de Almeida, que integrou o movimento, lembra que os jovens poetas ajudaram a popularizar um gênero antes visto como inatingível.

"Antes, a poesia era inatingível. Mas o que é que esses poetas fizeram? Eles popularizaram esse gênero literário com uma linguagem mais coloquial, mais urbana, mais irônica e direta para os transeuntes lá da Praça da Piedade."

O trabalho pedagógico e editorial

Almeida também destacou o aspecto educacional do movimento. Os poetas faziam antologias com poemas autorais e de outros autores, como Manuel Bandeira e Cecília Meireles, divulgando a poesia brasileira para quem não tinha hábito de leitura.

"Quando a população se acercava da praça, ela terminava tendo um mundo gigantesco."

Poemas de amor em tempos de censura

Nem só de subversão viviam aqueles poetas. Almeida contou que, mesmo dedicados à luta contra a ditadura e a censura, eles ainda encontravam tempo para poemas de amor.

"Quanto mais amor se gasta, mais bonito o amor brota."

Flipelô 2026: a décima edição

A Flipelô é considerada a maior festa literária da Bahia. Neste ano, chega à décima edição, com expectativa de mais de 250 mil pessoas até o próximo domingo (9). flipelô 2026 programação poesia de resistência na ditadura

Perguntas Frequentes

Quem fundou o Poetas na Praça?

O movimento foi fundado por um grupo de estudantes baianos, entre eles Ametista Nunes, uma das dez fundadoras e a única mulher no início.

Onde o movimento se apresentava?

Na Praça da Piedade, em Salvador, em frente ao prédio da Secretaria de Segurança Pública da Bahia.

O que era recitado nas apresentações?

Poesias de subversão e provocação, além de poemas de amor, em linguagem coloquial e urbana.

Qual foi o legado do movimento?

Popularizar a poesia entre a população e divulgar poetas como Manuel Bandeira e Cecília Meireles, além de afirmar a arte como resistência.

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