Morre Luis Turiba: poeta e ativista deixa legado cultural
O poeta, ativista cultural e jornalista Luis Turiba morreu ontem (25), em Salvador, aos 76 anos, em casa, devido a complicações graves de saúde. A família ainda não divulgou informações sobre velório e enterro.
O poeta, ativista cultural e jornalista Luis Turiba morreu ontem (25), em Salvador (BA), aos 76 anos. O escritor faleceu em casa, devido a complicações graves de saúde. A família ainda não divulgou informações acerca do velório e enterro. Ele deixa cinco filhos, seis netos e uma obra ampla, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais, como a letra da canção "Bico da Torre", musicada por Renato Matos e gravada por Zélia Duncan (então Zélia Cristina) e por Célia Porto.
Turiba, como era conhecido, nasceu no Recife (PE), em 1950, mas mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro, onde se tornou militante do movimento estudantil. Ex-membro do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), foi impedido de terminar seus estudos na Escola Técnica Nacional Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ) durante a ditadura civil-militar (1964/1985). Prestes a completar 18 anos, foi preso por determinação da Justiça Militar, que o condenou a seis meses de prisão por alegada participação em "atividades subversivas". Segundo ele, ao ser detido, agentes do antigo Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi), órgão de repressão subordinado ao Exército, o torturaram física e psicologicamente.
Sua carreira jornalística começou no Rio de Janeiro, com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais. Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a documentação que ele reuniu comprova que foi perseguido por razões políticas, monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Entre 1985 e 2022, Turiba editou, em Brasília, a revista cultural Bric-a-Brac, que entrevistou intelectuais e artistas como Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Nise da Silveira e Manoel de Barros. Após atuar como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se à literatura. Vivendo em trânsito entre Rio, Salvador e Brasília, amigos se mobilizam para homenageá-lo neste sábado (29) à tarde, no bar e restaurante Beirute, tradicional reduto da boemia brasiliense, para ler seus poemas.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal lamentou o falecimento, chamando Turiba de "brasiliense por adoção" e "ícone inestimável da nossa imprensa e da cultura local", o que lhe rendeu o título de Cidadão Brasiliense. Em nota, a entidade expressou solidariedade aos filhos, netos, familiares e amigos, com a certeza de que "o exemplo e as palavras de Turiba continuarão inspirando cada profissional que luta por um jornalismo livre e democrático".
Flamenguista, Turiba deixou em seu livro Luminares (1983) um roteiro de velório bem a seu estilo: irônico, despojado e afetuoso. Nos versos, pede: "Coloquem Imagine na vitrola / retirem-lhe o coração em frangalhos / e enterrem-no enrolado na bandeira do Flamengo". A morte, para ele, era "um gol de placa / aos 45 minutos / do segundo tempo da existência". Para quem quiser prestar homenagem, o encontro em Brasília, no Beirute, é uma oportunidade de celebrar sua memória.