# Museu do Pontal superou enchentes e ensinou valor da arte popular

> O Museu do Pontal, instituição carioca dedicada à arte popular brasileira, superou as enchentes que atingiram sua antiga sede no Recreio dos Bandeirantes. Em 2021, o museu inaugurou uma nova sede na Barra da Tijuca, adotando o conceito Museu Praça. A trajetória de resiliência e o acervo de mestres artesãos consolidam o Pontal como referência nacional, com 50 anos celebrados em 2026.

*New Queer Cinema · Análises e Críticas · 30 de agosto de 2026 · Wallace Tibúrcio Macena*

O Museu do Pontal comemora 50 anos em 2026 após superar enchentes no Recreio e inaugurar sede na Barra da Tijuca, em 2021, com o conceito Museu Praça.

O Museu do Pontal celebra meio século de fundação em 2026 colhendo os frutos de um trabalho que deixou para trás dificuldades, como as frequentes enchentes que enfrentava em sua antiga sede, no Recreio dos Bandeirantes. A construção de condomínios residenciais nos arredores do sítio onde funcionava deixou o terreno mais baixo que os vizinhos, e o acúmulo de água se tornou constante mesmo após uma grande reforma em 2009.

Diretor executivo, Lucas Van de Beuque relatou à Agência Brasil: "Foi em 2011 que a gente começou a viver isso. Foram períodos muito difíceis. Foram inundações, ano a ano, e a gente foi mobilizando pessoas, empresas acionando a Prefeitura". Em 2016, o museu conseguiu um terreno, mas a falta de recursos paralisou as obras por dois anos. Preso à sede antiga, sofreu uma inundação ainda mais forte, com instalações internas sob até 1 metro de água. Sem recursos para reparar os danos, o museu se salvou por uma campanha que mobilizou mais de 1 mil pessoas e empresas com doações.

"Inauguramos em outubro de 2021. Foram 10 anos nesse processo, que foi muito difícil, mas muito interessante também", afirmou Lucas. No meio do caminho, a pandemia de covid-19 não parou o museu: os diretores realizaram encontros virtuais com artistas de vários estados. Hoje, o Pontal funciona na Barra da Tijuca, com o conceito Museu Praça, um lugar de encontro e convivência, com exposições, espetáculos, oficinas e jardim para piquenique e soltar pipa.

A diretora Angela Mascelani lembrou que, desde 1976, a coleção construída pelo francês Jacques Van de Beuque valoriza a produção das camadas populares. A exposição que marcou o início das atividades, com peças compradas por Jacques ao vir morar no Brasil, passou primeiro pelo Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, o que deu mais reconhecimento à mostra. "A gente se dedica a contar a história desses artistas e acompanhar suas trajetórias da mesma forma que se faz com as artes hegemônicas", avaliou Angela.

O museu está aberto na Barra da Tijuca, com programação para as cinco décadas. Vale acompanhar a agenda oficial para visitar e conferir as exposições que celebram a arte popular brasileira.

---

Fonte (canonical): https://www.newqueercinema.com.br/analises-e-criticas/museu-pontal-superou-enchentes-ensinou-valor-arte-popular/
