# Poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor André Gravatá

> O escritor André Gravatá afirma que a poesia na infância alimenta a sensibilidade. O poeta e educador lançou 'Pelos Olhos de Orides' (Editora Hedra), obra que adapta a poesia de Orides Fontela para crianças. A publicação estimula contemplação, curiosidade e uma relação afetiva com o livro.

*New Queer Cinema · Análises e Críticas · 29 de julho de 2026 · Marlene Yoshida Cabral*

Poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor André Gravatá. O poeta e educador fala sobre o lançamento de 'Pelos Olhos de Orides' (Editora Hedra) e como a obra de Orides Fontela, adaptada para crianças, estimula contemplação, curiosidade e uma relação afetiva com o liv

## Poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor André Gravatá

A poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor e educador André Gravatá. Em entrevista à Agência Brasil, o poeta explicou como o livro _Pelos Olhos de Orides_ (Editora Hedra), lançado em julho, oferece às crianças uma chance de ver o mundo por outra perspectiva. A obra adapta poemas de Orides Fontela para a infância, unindo literatura, arte e natureza.

**O que a poesia de Orides Fontela oferece às crianças?**

Com uma linguagem precisa, que transformou uma nuvem em "a flor do céu", a poeta Orides Fontela teve parte de sua obra adaptada para a infância. O livro propõe uma aproximação das novas gerações à poesia de Orides, que parte de elementos simples e cotidianos, como um pássaro, uma nuvem, uma flor, uma vaca, um caleidoscópio, para refletir sobre o mundo, o tempo e a espera.

André Gravatá imagina uma criança diante dos poemas de Orides, "tão cheios de mistério e quase queimando na ponta da língua de tanta intensidade. É uma chance de a criança lembrar do susto e da beleza de ver o mundo por outra perspectiva".

## Como a poesia transforma a experiência infantil?

Gravatá lembra de uma criança que lhe contou sobre ter conversado com a água. "Ela estava escovando os dentes e decidiu se declarar dizendo 'eu te amo' para a água. O que é isso senão um poema vivido no corpo? Criança que lê poesia encontra alimento para nutrir sua sensibilidade, para continuar brincando, se espantando."

O poeta, autor de livros infantis como _Converseiro da Natureza_ (Companhia das Letras) e _Todo mundo rodopia enquanto rodopia o mundo_ (Peirópolis), defende que "provocar a paixão pela literatura já na infância é fundamental".

## O lançamento na Flip 2026

O lançamento do livro _Pelos Olhos de Orides_ foi celebrado em mesa de conversa na Casa da Árvore, durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), onde Orides foi a autora homenageada. A autora morreu em 1998, aos 58 anos, logo após o lançamento de _Teia_.

O organizador Augusto Massi e a ilustradora Cynthia Cruttenden participaram do evento. Para Massi, a poesia de Orides compartilha com a infância uma mesma postura diante do mundo: o olhar investigativo e a liberdade de interpretação.

"Tem espaço no livro, contrastes, exatamente para que a criança possa fazer perguntas. Outra coisa que a Orides ensina é realmente tecer considerações sobre as coisas", disse Massi, citando a descrição do João de Barros como "o pássaro operário, o pássaro trabalhador".

## A relação com a natureza e o silêncio

Massi relaciona vivências da poeta à sua obra: Orides passeava muito com o pai e pescavam juntos. "Vocês vejam, a pesca exige silêncio. É uma atividade que tem silêncio. E, quando você faz silêncio no meio da natureza, escuta o canto dos pássaros, o vento batendo nas folhas", mencionou. "Sem nenhum tom de denúncia, o livro da Orides é um livro ecológico", concluiu.

## A ilustração como convite à liberdade

Massi afirmou que o projeto de ilustração foi "um acontecimento". Em vez de imagens óbvias, a ilustradora explorou formas, cores e movimentos que podem levar a uma diversidade de interpretações. "Não só ela conseguiu dar movimento no livro, mas, ao mesmo tempo, as figuras querem sair do livro. Elas têm força para não ficar encaixadas ali."

Para Cynthia Cruttenden, o interessante para as crianças é a característica lúdica das imagens, que trazem liberdade e alegria. "Não tem uma figura tão clara, ela está meio escondida ali dentro. São formas com cores fortes e movimento, que trazem uma dualidade das coisas. Eu acho que isso instiga. É mais livre nesse sentido de interpretação e visualmente."

## O impacto do Circuito Cultural da Flip

A Flip também contou com o Circuito Cultural, que levou cerca de 270 crianças e adolescentes das comunidades locais para participar do festival literário em Paraty. Além de vivenciar atividades na Flipinha e na Casa da Cultura, eles percorreram as ruas do centro histórico, onde diversas manifestações culturais aconteciam.

Direcionado a estudantes da rede pública e participantes de organizações sociais, o Circuito Cultural é um projeto do Instituto Motiva e ocorre em três estados: São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A iniciativa planeja atingir mais de 3 mil crianças e jovens ao longo deste ano.

"Ao conectar as crianças e os jovens a museus, festivais literários e espaços culturais, a gente busca ampliar repertórios, fortalecer o senso de pertencimento e contribuir para a formação de cidadãos mais críticos, criativos e preparados para construir seus próprios projetos de vida", disse Jéssica Trevisam, gerente do Instituto Motiva.

O Programa Educativo da 24ª Flip, que contempla Flipinha, FlipZona e FlipEduca, teve mais de 15 mil participações em atividades gratuitas realizadas ao longo de quatro dias em Paraty, reunindo crianças, jovens, famílias, educadores e mediadores de leitura.

## Por que a poesia na infância é essencial?

Para André Gravatá, uma das prioridades de todo evento de literatura deveria ser provocar o interesse das crianças e jovens pela literatura. "Fortalecer os espaços educativos, com mais recursos e programação ampliada, faz diferença no presente e no futuro. Uma das cenas mais lindas que eu vi na Flip deste ano foi uma criança abraçada a um livro. Ela folheava as páginas com os olhos brilhando, o livro era um brinquedo na mão dela!"

"Por isso é tão importante ver a programação do educativo da Flip para as crianças e jovens e outras atividades que também acontecem por lá pra esses públicos, porque assim a gente provoca que desde criança aconteça uma relação afetiva com o livro", disse o escritor, que participou de eventos da Flip neste ano e no ano passado.

## Perguntas Frequentes

### Por que a poesia na infância é importante?

A poesia na infância alimenta a sensibilidade, segundo o escritor André Gravatá. Crianças que leem poesia encontram alimento para nutrir sua sensibilidade, continuar brincando e se espantando com o mundo.

### O que é o livro 'Pelos Olhos de Orides'?

É um livro da Editora Hedra que adapta poemas de Orides Fontela para a infância, reunindo literatura, arte e natureza. Foi lançado em julho durante a 24ª Flip.

### Quem é André Gravatá?

André Gravatá é poeta e educador, autor de livros infantis como _Converseiro da Natureza_ (Companhia das Letras) e _Todo mundo rodopia enquanto rodopia o mundo_ (Peirópolis).

### O que é o Circuito Cultural da Flip?

É um projeto do Instituto Motiva que leva crianças e adolescentes de comunidades locais para participar do festival literário em Paraty. A iniciativa ocorre em três estados e planeja atingir mais de 3 mil jovens neste ano.

### Como a ilustração do livro contribui para a experiência infantil?

A ilustradora Cynthia Cruttenden criou imagens lúdicas com formas, cores e movimento, sem figuras óbvias, estimulando a liberdade de interpretação e a curiosidade das crianças.

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Fonte (canonical): https://www.newqueercinema.com.br/analises-e-criticas/poesia-infancia-alimenta-sensibilidade-diz-escritor/
