Crítica · Bastidores

Festival de Brasília começa nesta sexta após cancelamento

ResumoO Festival de Brasília do Cinema Brasileiro realiza sua 59ª edição em 2025, abrindo em 11 de julho, às 19h30, no Cine Brasília, com a exibição do filme A Pele Morta. O evento havia sido cancelado pelo governo do Distrito Federal e teve a decisão revertida poucas horas depois, garantindo a continuidade da mostra competitiva.

Após ter o cancelamento anunciado e revertido em poucas horas pelo governo do Distrito Federal, a 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro abre nesta sexta-feira (11), às 19h30, no Cine Brasília, com o filme A Pele Morta.

Marlene Yoshida Cabral
Marlene Yoshida Cabral Documentarista e analista de cinema do real · 11 de setembro de 2026
Festival de Brasília começa nesta sexta após cancelamento
8.6/10
VereditoApós ter o cancelamento anunciado e revertido em poucas horas pelo governo do Distrito Federal, a 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro abre nesta sexta-feira (11), às 19h30, no Cine Brasília, com o filme A Pele Morta.

A sessão de abertura estava marcada, os filmes selecionados, a programação fechada. Foi então que a organização do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro recebeu a notícia do cancelamento, sob o argumento de falta de verba do governo do Distrito Federal. Horas depois, a governadora Celina Leão publicou em suas redes sociais a determinação para que a Secretaria de Economia providenciasse os recursos necessários. A 59ª edição começa nesta sexta-feira (11), às 19h30, no Cine Brasília, com o filme A Pele Morta, de Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres.

O que muda para quem acompanha o festival: a mostra competitiva de longas e curtas segue de pé, ao lado de mostras paralelas e sessões especiais. Foram quase 2 mil filmes inscritos, recorde dentro do festival, e mais de 70 selecionados em várias mostras. A sessão Vozes e Lutas reúne filmes notabilizados pela retratação de movimentos políticos e culturais relevantes, entre eles Pontos de Partida, do cineasta Silvio Tendler, morto em setembro do ano passado.

A presença de produções de Brasília é um dos eixos desta edição. A Pele Morta foi concebido pelo diretor Geraldo Moraes, radicado em Brasília e morto em 2017, e resgatado e dirigido pelos seus filhos. No sábado (12), às 18h, o Cine Brasília recebe em primeira mão três episódios de Delegado, série dirigida por Marcelo Lordello e Leonardo Lacca e produzida por Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux.

"As expectativas são as melhores possíveis. Um dos grandes destaques desta programação é a presença importante de filmes de Brasília, com vínculos fortes com o Distrito Federal", disse a diretora-geral do festival, Sara Rocha, à Agência Brasil. Ela também falou sobre o que espera do evento: "A gente espera superar o número de espectadores e poder abraçar todas as pessoas que fazem parte do festival; o público, os realizadores e toda comunidade cultural, para que a gente possa celebrar o cinema brasileiro e fortalecer. A cada edição do festival que se realiza, amplia um pouco mais esse lastro".

Nascido em 1965, o festival consolidou-se como espaço de debate sobre o audiovisual brasileiro. Só não foi realizado em dois anos durante a ditadura militar e, na pandemia, aconteceu de forma virtual. Desde 2007, é considerado patrimônio imaterial do Distrito Federal. "Um patrimônio não é cancelável. O festival é um patrimônio tombado formalmente e afetivamente, não só por Brasília, mas por todo o Brasil", celebrou Sara Rocha. A programação completa está no site oficial do festival programação do Festival de Brasília.

O que fica desta edição é a pergunta que o próprio episódio levanta: o que significa um festival de cinema do real depender, até a última hora, de uma decisão orçamentária para existir. Um patrimônio imaterial não se cancela por decreto, mas também não se sustenta só por afeto. Enquanto a sessão de abertura não começa, a cidade que inventou esse festival segue esperando para ver, na tela, o que ela mesma tem a dizer.

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