# Feito Pipa é escolhido para representar Brasil no Oscar 2027

> Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton, foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Visuais para representar o Brasil na disputa por uma indicação de Melhor Filme Internacional no Oscar 2027. O anúncio foi feito em 16 de abril, consolidando o longa como candidato brasileiro na corrida pelo prêmio da Academia de Hollywood.

*New Queer Cinema · Bastidores · 16 de setembro de 2026 · Undine Sá Carolino*

A Academia Brasileira de Cinema e Artes Visuais anunciou nesta quarta-feira (16) que Feito Pipa, de Allan Deberton, representa o Brasil na disputa por uma indicação de Melhor Filme Internacional no Oscar 2027.

Toda imagem propõe um jeito de olhar e recusa outros. Quando a Academia Brasileira de Cinema e Artes Visuais anunciou, nesta quarta-feira (16), que Feito Pipa, de Allan Deberton, representa o Brasil na disputa por uma indicação de Melhor Filme Internacional no Oscar 2027, o que se escolheu não foi apenas um título: foi um modo de filmar o sertão, a infância e o corpo de uma criança que insiste em não sair de casa.

O longa foi selecionado entre os seis pré-selecionados anunciados em 6 de setembro. Ao todo, 15 obras foram inscritas e habilitadas para concorrer à vaga brasileira.

A trama acompanha Gugu, vivido por Yuri Gomes, menino de 11 anos apaixonado por futebol que mora com a avó, Dilma, papel de Teca Pereira. Quando a saúde dela se fragiliza, ele tenta esconder a situação para não precisar se mudar para a casa do pai, Batista, interpretado por Lázaro Ramos, em Brasília. O filme foi rodado em Quixadá, no sertão do Ceará, e foi o mais premiado da edição deste ano no Festival de Gramado.

Lázaro Ramos comemorou em uma rede social. "A emoção é gigante, porque dentro de tantos filmes bons que a gente teve esse ano, um monte de filme legal, um monte de trabalho rico, valioso, precioso, o 'Feito Pipa' foi selecionado para tentar esse caminho, que é um caminho que, na verdade, começa em casa, da gente mesmo valorizar o nosso cinema", escreveu o ator.

A presidente da Comissão de Seleção, Clélia Bessa, destacou a linguagem do longa como fator decisivo. "O filme Feito Pipa, de Allan Deberton, tem uma narrativa sensível que comunica universalmente e ao mesmo tempo traz uma forte identidade brasileira a partir de uma cidade do interior do Ceará. É sobre família, cumplicidade entre avó e neto, infância, finitude e já foi premiado em festivais internacionais importantes", afirmou.

A estreia no Brasil está marcada para 5 de novembro. Antes, o filme passa pelo Festival do Rio, em outubro. O Brasil já foi finalista em Melhor Filme Internacional em seis ocasiões. As mais recentes foram com O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, e Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, que levou a estatueta pela primeira vez para o país.

A shortlist oficial da categoria, com os 15 longas em língua não inglesa pré-selecionados, sai em dezembro, divulgada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Os cinco indicados oficiais serão anunciados em 21 de janeiro do ano que vem.

O que me interessa nesse anúncio não é a estatueta em si, mas o que ela autoriza. Um filme que filma uma avó e um neto no interior do Ceará entra numa corrida global carregando uma pergunta: que Brasil o olhar estrangeiro aceita ver sem tradução? Festival de Gramado 2026 cinema cearense contemporâneo

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Fonte (canonical): https://www.newqueercinema.com.br/bastidores/filme-feito-pipa-escolhido-representar-brasil-oscar-2027/
