Comunicação pública em debate: Brasília sedia 4º congresso
O 4º Congresso Brasileiro de Comunicação Pública reúne pesquisadores, estudantes e profissionais em Brasília até sexta-feira (18). Em pauta, desinformação, inteligência artificial e o direito do cidadão à informação de qualidade.
Penso na comunicação pública como um gesto de olhar: toda mensagem institucional propõe um jeito de ver o Estado e recusa outros. Em Brasília, pesquisadores, estudantes e profissionais de comunicação pública se reúnem até sexta-feira (18) no 4º Congresso Brasileiro de Comunicação Pública para disputar exatamente esse enquadramento. As perguntas que organizam o encontro são diretas: como levar informação de qualidade à população? Como dialogar com o público e estimular a formação de cidadãos conscientes e engajados?
A resposta direta, para quem quer entender o que está em jogo: durante três dias, os participantes acompanham palestras, mesas redondas, minicursos, relatos de experiências e apresentação de pesquisas. Há também lançamento de livros e entrega de premiações. Os debates ocorrem na Câmara dos Deputados, em Brasília, e podem ser acompanhados online. A programação completa está no site do evento.
O diretor de Relações Acadêmicas da Associação Brasileira de Comunicação Pública, Jorge Duarte, desloca o problema do campo da visibilidade para o do direito. "A comunicação pública não se resume a divulgar realizações ou ocupar canais. A comunicação pública precisa ajudar as instituições a cumprir sua missão e permitir que políticas de serviços, de direitos, cheguem às pessoas. Quando isso falha, o cidadão paga o custo em tempo, dinheiro, segurança e perda de oportunidades", disse.
Entre os desafios lembrados pelos participantes estão a transformação tecnológica acelerada e a inteligência artificial, a fragmentação das audiências e o combate à desinformação. A diretora da Secretaria de Comunicação Social do Senado, Glauciene Lara, aponta que corrigir informações falsas não basta. "As instituições públicas não podem ficar inertes à desinformação e elas não podem responder a esse fenômeno só corrigindo informações falsas. Elas precisam construir relações permanentes de credibilidade, transparência e diálogo com a sociedade e também fazer ações de educação midiática", destacou.
O que me interessa nesse enquadramento é menos a lista de temas e mais a pergunta que ele deixa aberta: se comunicar é construir credibilidade e não apenas ocupar canais, que imagem de cidadão essas instituições estão dispostas a sustentar quando a câmera se desliga?