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Nascido há 100 anos, Moacir Santos fundiu ancestralidade e erudição

ResumoMoacir Santos, maestro e compositor que completaria 100 anos em 26 de julho, construiu obra que funde ancestralidade afro-brasileira com erudição musical. A produção de Moacir Santos exemplifica o diálogo entre o popular e o erudito, influenciando o cinema e a música independente.

Moacir Santos, maestro e compositor que completaria 100 anos no dia 26 de julho, construiu uma obra que funde ancestralidade afro-brasileira com erudição musical. Nós, amantes do cinema e da música independente, temos nele um exemplo de como o popular e o erudito podem dialogar s

Cássio Drummond Belforte
Cássio Drummond Belforte Programador de cineclube e divulgador de cinema autoral · 26 de julho de 2026
Nascido há 100 anos, Moacir Santos fundiu ancestralidade e erudição
7.0/10
VereditoMoacir Santos, maestro e compositor que completaria 100 anos no dia 26 de julho, construiu uma obra que funde ancestralidade afro-brasileira com erudição musical. Nós, amantes do cinema e da música independente, temos nele um exemplo de como o popular e o erudito podem dialogar s

Nascido há 100 anos, Moacir Santos fundiu ancestralidade e erudição

Moacir Santos, que completaria 100 anos em 26 de julho de 2026, foi compositor, arranjador, multi-instrumentista e maestro. Sua obra funde ritmos afro-brasileiros com jazz, destacando-se o álbum Coisas (1965) e a canção Nanã. Viveu nos EUA, onde lançou discos pela Blue Note e foi indicado ao Grammy.

Nascido no Sertão Pernambucano, na região de Serra Talhada, aprendeu a tocar instrumentos de banda marcial ainda criança. O músico morreu em Los Angeles, onde morava, em 2006, aos 80 anos, em decorrência de um derrame.

Como a música de Moacir Santos ecoa hoje

Para quem garimpa o cinema e a música fora do circuito, Moacir Santos é uma figura essencial. Sua canção mais conhecida, Nanã, homenageia a orixá mais antiga das religiões afro-brasileiras e foi trilha de abertura do filme Ganga Zumba. A melodia partiu da reza de pessoas numa procissão, ganhou letra de Mário Telles e foi gravada por uma centena de artistas, de Nara Leão a Tim Maia, passando por nomes do jazz como Kenny Burrell e Gil Evans.

A fusão entre erudição e popular

Moacir Santos foi aluno do maestro César Guerra-Peixe e professor de Baden Powell, João Donato, Paulinho da Viola, Airto Moreira e Roberto Menescal. Andrea Ernest Dias, flautista e autora do livro "Moacir Santos, ou os caminhos de um músico brasileiro", explica que o artista construiu uma identidade sonora a partir de pesquisas aprofundadas em teoria musical. "Para quem queria se aprofundar um pouco, sair do campo da intuição musical e saber, o Moacir se tornou essa pessoa que fazia essa ponte, entre a erudição e o popular", afirma Andrea.

O disco Coisas e a identidade sonora

Considerado sua obra-prima, o álbum Coisas, de 1965, reúne 10 composições, todas com o título "coisa" seguido de uma numeração. Andrea Ernest Dias comenta que o disco sintetiza a trajetória do músico, com referências das bandas filarmônicas e das jazz bands, além da pesquisa na Orquestra Afro-brasileira. "A pesquisa na Orquestra Afro-brasileira trazendo essa identidade, digamos, afro-brasileira, é uma marca mais forte nessa instrumentação e principalmente nessa estruturação musical perfeita", diz.

A carreira internacional e o mojo

Em 1967, Moacir Santos deixou a Rádio Nacional e se mudou para os Estados Unidos, onde deu aulas e compôs trilhas de cinema com os maestros Henry Mancini e Lalo Schifrin. Na década de 1970, lançou álbuns pela gravadora Blue Note, entre eles Maestro, indicado ao Grammy. Andrea Ernest Dias explica o "mojo", sistema rítmico que Moacir criou: "O mojo é uma espécie de síntese, um sistema que ele criou, muito swingado, uma coisa que a gente ouve e imediatamente fala: 'Isso aí é ritmo do Moacir'".

O legado revisitado e o centenário

Em 1985, Moacir Santos foi homenageado no 1º Free Jazz Festival e tocou na abertura ao lado de Radamés Gnatalli. A obra foi revisitada pelos músicos Zé Nogueira e Mario Adnet no projeto Ouro Negro, com participações de Milton Nascimento e Gilberto Gil. Allan Abbadia, multi-instrumentista e pesquisador, destaca: "Ele é fruto de uma genialidade incrível e uma intelectualidade conquistada através dos estudos também da nossa oralidade, estudos da cultura afro-brasileira". Em agosto, Allan Abbadia dará aulas sobre a obra de Moacir Santos no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc em São Paulo.

Perguntas Frequentes

Quem foi Moacir Santos?

Moacir Santos foi compositor, arranjador, multi-instrumentista e maestro brasileiro, conhecido por fundir ritmos afro-brasileiros com jazz.

Qual a obra mais famosa de Moacir Santos?

O álbum Coisas, de 1965, é considerado sua obra-prima, com 10 composições intituladas "coisa" seguidas de numeração.

Moacir Santos foi indicado ao Grammy?

Sim, pelo álbum Maestro, lançado pela gravadora Blue Note na década de 1970.

Onde Moacir Santos nasceu e morreu?

Nasceu no Sertão Pernambucano, em Serra Talhada, e morreu em Los Angeles, em 2006, aos 80 anos, vítima de um derrame.

Quem foram os alunos de Moacir Santos?

Entre seus alunos estão Baden Powell, João Donato, Paulinho da Viola, Airto Moreira e Roberto Menescal.

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